Nápoles, estímulos a mais (Itália)
Pegamos o trem de Pompeia para Nápoles. Decidimos não passar uma noite em Nápoles porque achamos nosso hotel em Pompeia muito bonito e muito tranquilo, é melhor fazer o trajeto de ida e volta Pompeia – Nápoles do que ter que arrastar nossas malas até Nápoles, e depois de Nápoles até Roma.
Que decisão sábia, pois esta cidade representa para mim todo o caos de uma cidade engolida pelo turismo de massa e pela incompetência daqueles que gerenciam a limpeza da cidade. Tem gente por todo lado, as ruas estão super sujas, principalmente nos pontos turísticos. Fiquei chocada ao ver uma cidade tão turística tão mal cuidada. Marselha, do lado, é a limpeza personificada.

Todo esse estresse precisa ser compensado com uma pizza napolitana, imediatamente! Aqui, as pizzas para viagem têm um preço, e as pizzas para comer no local têm outro preço. Infelizmente, essa pizzaria Tutino muito bem avaliada não é tão boa assim. Serve bem para matar a fome, mas outras pizzas napolitanas são melhores… em Palermo 🙁 snif!

Passamos por acaso em frente à Sorbillo e é um caos! Umas cem pessoas esperando na frente, não há uma ordem específica, a espera é de pelo menos 2h. Vão me dizer depois que a espera vale muito a pena, que é realmente a melhor pizza do mundo etc., mas é estressante demais lol!! Nunca na vida vou fazer fila na sujeira, e em tanta bagunça.

Tentamos visitar a Capela Sansevero onde estão preservadas esculturas de um realismo de tirar o fôlego, mas está lotado até o fim do dia. Que bobeira! Pensei em reservar, mas esqueci completamente. Bom, teremos que voltar outra hora, durante a semana.


Para encontrar um pouco de calma, o que é melhor do que nos escondermos na Catedral de Nossa Senhora da Assunção de Nápoles? Lá dentro há um museu dos tesouros cheio de joias lindas.








A catedral é muito bonita, mas só tenho uma vontade: descobrir a parte paga, mas interessante, atrás dessa porta enorme. Ela faz parte do museu do Tesouro de San Gennaro. Encontramos uma coleção de doações de soberanos, papas e nobres napolitanos. Seu valor ultrapassaria o das joias da coroa da Inglaterra e dos czares da Rússia, segundo o Guia do Roteiro (Routard).

Fiz cursos de joalheria e desde então a-do-ro ver objetos de prata nas igrejas. Naquela época, ainda havia pessoas talentosas o suficiente para fabricá-los, e pessoas ricas o suficiente para comprá-los.


A gente não sabe para onde olhar, pois há peças de prata maciça tão pesadas, tão lindas. Há um busto de prata e cobre dourado de Santa Irene, decorações carregadas nas paredes e nos tetos. Parece que estamos num cofre, e não numa catedral.


A peça mais impressionante é esta: 8kg de ouro e prata, 3328 diamantes, 198 esmeraldas, 168 rubis… nunca usada porque é pesada demais. Quando olhamos com atenção, podemos notar que as técnicas de joalheria progrediram bastante desde então. Que graças às nossas técnicas modernas, nossas lupas superpotentes, nossos computadores que estudam o corte adequado para diamantes, nossas ferramentas aperfeiçoadas… nossas pedras são muito muito melhor lapidadas e melhor engastadas do que o que vemos ali. Claro, uma peça assim ainda custa muito caro hoje em dia, mas as pedras teriam sido melhor engastadas, com certeza!



Para uma perfeccionista como eu, olho muito os detalhes e mesmo que as esmeraldas sejam enormes, mas mal lapidadas como essas, eu as acho “tanto faz” mesmo assim ahahaha 😀 Ainda assim é engraçado dizer que temos pedras melhor lapidadas hoje do que os papas de antigamente! Idem para as pérolas, havia um colar cheio de pérolas, mas todas assimétricas e minúsculas 😀

O que eu prefiro são peças assim, onde admiramos mais o trabalho dos metais do que o engaste de pedras preciosas.

Quanto mais olho essas peças, mais penso que, de fato, as pedras coloridas são mais bonitas que os diamantes. Em “O Hobbit”, quando Bilbo descobria que os Elfos preferiam os diamantes às pedras coloridas, ele tinha dificuldade em entender o motivo… e ele tem razão! Os diamantes não são nem raros nem preciosos. Já as esmeraldas que vemos aqui… tão lindas, tão grandes… elas são verdadeiramente raras e preciosas, pena que sejam mal lapidadas. As esmeraldas fazem parte da família do berilo, como a água-marinha. Mas a raridade da esmeralda vem dos traços de cromo, que dão a cor verde. Assim, elas são encontradas apenas em certas regiões do mundo, especialmente na Colômbia e no Brasil. As da Colômbia continuam sendo de qualidade superior. Se meu joalheiro estivesse comigo, ele poderia ter tirado sua lâmpada especial e me dizer de quais países vêm essas esmeraldas. Sob sua luz UV, as esmeraldas da Colômbia mudariam de cor, e ficariam rosas, assim:

Ainda temos tempo, mas esta cidade me estressa demais e decidimos entrar no primeiro ônibus para voltar para Pompeia, não sem antes comprar algo para beliscar no caminho.

No dia seguinte, pegamos um trem de Pompeia até Roma.