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Um dia em Cabourg (França): Nos passos de Marcel Proust

Todo leitor de Em Busca do Tempo Perdido certamente quer visitar o Grand Hôtel de Balbec, ou simplesmente Balbec, um dia ou outro. Esse sonho não me deixou desde que li À Sombra das Raparigas em Flor, onde a trama se passa principalmente no Grand Hôtel de Balbec e nos arredores de Balbec.

Parte 1: Diário de viagem
Parte 2: Dicas práticas

Parte 1: Diário de viagem

Balbec está sempre associado a Cabourg, mesmo que Marcel Proust tenha tentado incorporar elementos de outras regiões para despistar. E o próprio Marcel Proust passou vários verões no Grand Hôtel de Cabourg. Agora é um hotel do grupo Accor, um Mgallery com tarifas bastante elevadas (é um hotel 5 estrelas). Para que a conta fosse menos dolorosa, e como temos muita flexibilidade, fomos no início da semana, quando não há ninguém e as tarifas são mais baixas.

Além disso, temos muitos milhas graças aos nossos cartões American Express, além do status Gold da Accorhotels, então pudemos usufruir das ofertas padrão: upgrade, duas bebidas de boas-vindas no bar. E como o JB também avisou o hotel que era para celebrar o meu aniversário, ganhamos duas entradas para a Villa du temps perdu + duas madeleines que nos esperavam no quarto. Não poderia pedir melhor: um quarto com vista para o mar, no 4º andar. Teríamos pago muito caro para ter vista para o oceano, se não tivéssemos sido upgradeados. Estou muito grata e feliz por me darem a mesma vista que Marcel Proust tinha.

O banheiro é tão enorme que poderiam ter colocado uma banheira sem problema algum. Tem um estilo “França de antigamente” sem ser antiquado demais. Acho o quarto bem grande em comparação com o que imaginava. Além disso, há uma sauna (30 minutos/dia/pessoa) no nosso andar.

Estamos no quarto 416 e, depois de nos informarmos, descobrimos que o quarto 414 é decorado de maneira especial, como nos tempos de Proust, para os fãs hardcore. Mas, na verdade, Proust ficava no quarto 418. Quando se hospedava no Grand Hôtel, ele também privatizava os dois quartos ao lado para que os barulhos não o incomodassem, e fazia questão de ficar no último andar (sem varanda) para que ninguém andasse por cima dele.

Por todo o hotel, há vestígios de Proust, desde o nome do restaurante gastronômico no térreo (Le Balbec), até as madeleines (deliciosas) servidas no café da manhã. Retratos do círculo de Proust nos corredores do hotel, passando por painéis com citações do romance em frente ao elevador, em frente ao restaurante, e também ao longo da promenade em frente ao hotel, a promenade “Marcel Proust”, e até as lixeiras na promenade. Infelizmente, no início da semana, o restaurante gastronômico está fechado, então não poderemos experimentar o famoso efeito “aquário” descrito no romance.

Trechos das HQs de Stéphane Heuet e Chloé Cruchaudet

Equipada com a minha sacola comprada na Gallimard “Em Busca do Tempo Perdido” e com a minha Pléiade Tomo II, dou uma volta pelo hotel e por Cabourg.

O casino ao lado é bem decepcionante e não consigo descobrir como ir diretamente sem sair do hotel. Nenhum vestígio da pista de dança onde o narrador descobre que Albertine é lésbica. No entanto, a promenade, a praia… parecem exatamente com o que eu imaginava de Balbec.

Na Villa du temps retrouvé, nada de especial além de uma estátua de Marcel Proust no jardim, uma edição de luxo cheia de papelotes, algumas cartas enviadas por Marcel Proust… e uma exposição sobre Júlio Verne. Fico feliz que nos deram ingressos gratuitos no hotel, pois este museu é um pouco decepcionante. Achei Illiers-Combray mais interessante, mais completo.

Está chovendo muito e nos refugiamos novamente no Grand Hôtel, no bar, onde degustamos o coquetel “o tempo recuperado” e um coquetel sem álcool qualquer. As 3 mini madeleines (sempre deliciosas) são oferecidas.

O jantar é divinamente bem no restaurante Le Baligan onde aproveito a proximidade com o oceano para degustar as primeiras ostras da temporada. Também adoro o chucrute com peixes deles.

Gostaríamos de deixar a janela do quarto aberta para ouvir as ondas, mas a luz do quarto atrai uma infinidade de insetos. No dia seguinte, aproveitamos ao máximo o café da manhã (com madeleines, claro) e os ovos preparados pelo chef. Só falta uma Mademoiselle de Stermaria e janelas que possam ser abertas por dentro.

Sem late check-out hoje, pois o hotel foi privatizado por um grupo de amantes de carros antigos. Com isso, deixamos Cabourg sob a chuva.

Parte 2: Dicas práticas

  • Grand Hôtel de Cabourg: a partir de 250 euros/noite, café da manhã 30 euros/pessoa (link Booking)
  • Você pode obter milhas apenas solicitando gratuitamente o seu cartão American Express e ter o equivalente a 80 euros de desconto no seu hotel (saiba mais aqui)
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