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[opinião] Livro “Rich Grandma Energy” de Shania Khan

O título do livro pode fazer sorrir (Rich Grandma Energy: And the Death of the Girl Boss, link Amazon) mas o livro é agradável, curto e fácil de ler, mesmo em inglês. O formato é muito americano, mas gosto da mentalidade desta empreendedora, fundadora de uma agência de comunicação. Encontrei-o à procura de uma marca de roupão de seda ahahha (ela usa o tempo todo).

Aqui está a apresentação oficial do livro, traduzo-a do inglês:


A Energia da Avó Rica não é uma questão de idade ou de dinheiro. É uma questão de certeza. Durante décadas, vendeu-se às mulheres o sonho da girl boss: trabalhar mais, performar competência, neutralizar a feminilidade, e talvez assim nos levassem finalmente a sério. Este sonho prometia liberdade. O que entregou foi exaustão, invisibilidade e burnout.

Em Rich Grandma Energy: And the Death of the Girl Boss, Shania Khan desmonta a cultura da performance que ensinou às mulheres a fazerem-se pequenas, a esforçarem-se e a justificarem-se em troca de respeito condicional. Não é um livro de produtividade. É uma mudança de poder.

Através de histórias pessoais, releituras culturais e verdades sem concessões, Khan introduz outra forma de avançar no mundo: ancorada na presunção em vez da permissão, na incorporação em vez da performance, e na autoconfiança em vez da validação.

Este livro é para as mulheres que estão fartas de se fazerem pequenas. Cansadas de se explicarem. Cansadas de serem “aceitáveis” para sobreviver. Não precisam de se tornar mais disciplinadas, mais produtivas ou mais educadas. Precisam de decidir. É a morte da girl boss. E o nascimento de algo muito mais poderoso.


Fisicamente, Shania Khan é a influencer americana típica, mas o que diz tem uma profundidade real, escondida sob um tom leve e simplista. O que gosto nela é a sua audácia: ela atreve-se a tudo, testa tudo, incorpora o que prega, tem sempre muitas ideias e executa discretamente, sem anunciar 3 anos antes. Alguns exemplos que falam por si: ela codificou uma app com IA para promover o seu programa de desenvolvimento pessoal, deixou a corrida dos ratos logo após um divórcio para lançar a sua própria agência de comunicação, perdeu peso, e como o seu livro é auto-publicado (portanto impossível passar pela Audible), simplesmente gravou o audiobook sozinha e colocou-o no seu site em formato mp3 para descarregar. Simples e eficaz! Ela também tem um vídeo muito interessante sobre o ciúme, que convida a tratar como um sinal em vez de reprimir: se alguém te deixa com ciúmes, é porque queres o que essa pessoa tem. E o melhor reflexo? Ir diretamente perguntar como ela conseguiu.

O que gosto muito neste tipo de personalidade é a coerência entre o discurso e a vida. E também esta relação com as redes sociais: fez delas um segundo emprego, sem nunca cortar a ligação com o mundo dos negócios. Bem longe do influenciador total, desligado do real.

Em suma, acho que o seu pequeno livro é fácil de ler. Não é grande literatura, nem um típico self-help. É um concentrado do que ela partilha nas redes sociais. Fala para mulheres perto do burnout, ou que esperam uma promoção há muito tempo, ou que desejam um impulso para se tornarem empreendedoras depois de anos de trabalho assalariado. A ideia é mudar o seu mindset para sair da sobrevivência e ativar mais o sistema parassimpático => obter sucesso sem burnout.

Vá, traduzo-vos um excerto do meu capítulo preferido: o capítulo 6

CAPÍTULO SEIS

A Teoria do Roupão de Seda

A teoria do roupão de seda é simples: o luxo não tem nada a ver com o que se pode pagar. Trata-se da forma como cuidamos de nós quando ninguém nos está a ver.

Uma mulher em roupão de seda, a beber o seu café sozinha na cozinha às seis da manhã, cultiva uma certa frequência. A do “Eu mereço beleza, mesmo sem testemunhas.” E essa frequência muda tudo.

É aqui que a maioria das mulheres se engana. Elas confundem luxo com ostentação. O saco de marca, o carro de prestígio, as fotos de férias cuidadosamente encenadas. Aquisições destinadas a impressionar. Mas isso não é luxo. É insegurança vestida de grande.

O verdadeiro luxo é o que se faz nas sombras. Os lençóis de seda em que se dorme sozinha. As flores frescas que se compram numa terça-feira sem razão. O creme de luxo que se aplica mesmo ficando em casa. A mesa que se prepara com cuidado para uma só pessoa. A música que se põe enquanto se limpa a casa. O tempo que se tira para se arranjar, mesmo quando não se tem para onde ir.

Tudo isto conta, porque o verdadeiro luxo recalibra o sistema nervoso. Envia ao nosso corpo a seguinte mensagem: “Estamos seguros, estamos saciados, temos valor.” E quando o corpo integra isso, algo se transforma. Deixamos de agir por medo da falta. Deixamos de nos agarrar. Deixamos de representar um papel.

Começamos a instalar-nos na certeza.

Descobri-o por acaso. Exausta de anos a performar em modo “girl boss”, fiz algo que nunca me tinha permitido. Comprei um roupão de seda. Não para os outros. Não porque tivesse para onde ir ou alguém para impressionar. Apenas porque tive vontade. Na primeira manhã em que o vesti, senti-me ridícula. Eram seis da manhã, estava sozinha no meu apartamento, e usava um roupão de trezentos dólares para beber o meu café e ver os meus e-mails. Era excessivo. Supérfluo. Demais.

E, no entanto, algo mudou. Eu me sentava de maneira diferente. Eu me movia de maneira diferente. Eu me sentia diferente. Não porque a lingerie me tinha dado poder, mas porque escolher a beleza para mim mesma, sem justificação externaera um ato de autoestima que eu nunca tinha praticado antes.

A maioria das mulheres só se permite o luxo depois de o ter merecido. Depois da promoção. Depois de atingir um objetivo. Depois de provar que o merecem. Mas isso ainda é performance. Ainda é procurar no exterior a permissão para se tratar bem.

A teoria da lingerie diz o seguinte: vocês não precisam de permissão. Vocês não têm de merecer a beleza. Oferecem-na a si mesmas primeiro, e tudo o resto segue.

Trata-se de regular o sistema nervoso, não de materialismo. Quando se vive num estado de privação permanente, dizendo a si mesma que cuidará de si mais tarde, quando tiver realizado o suficiente, ganho o suficiente, sido o suficiente, o corpo permanece em modo de sobrevivência. E o modo de sobrevivência é a frequência da escassez. Do medo. Do nunca ser suficiente.

Não se constrói um império a partir da escassez. Não se acede ao próprio poder a partir do medo. Não se pode avançar com certeza quando o sistema nervoso grita: «Ainda não estamos em segurança.»

O luxo, mesmo ínfimo, diz ao vosso sistema nervoso: «Estamos em segurança, agora.» E é na segurança que reside o poder.

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