Mina de sal Wieliczka perto de Cracóvia (Polónia): Diário de viagem & conselhos práticos
Todos nos contaram sobre a mina de sal Wieliczka, como uma das melhores experiências na Polónia. Então, obviamente, isso despertou a nossa curiosidade.
Parte 1: Diário de viagem
Parte 2: Dicas Práticas
Parte 1: Diário de viagem
2 ônibus, 45 minutos por 5 zloty por pessoa (1,2 euros) depois chegamos em Wieliczka. Almoçamos no primeiro restaurante que encontramos no nosso caminho (e mais ou menos no Google). Será o primeiro pierogi e o último da nossa vida, é tão pouco comestível 😀
5 minutos a pé, chegamos à mina de sal. Já gostamos do exterior, há relvados por todo o lado, muitas pessoas dormem lá a sesta, há até um centro de cuidados ao lado para pessoas com problemas respiratórios. Eles vêm aqui para passar várias horas por dia na mina, e aparentemente isso é o suficiente para curá-los.

Fizemos uma visita guiada em francês (84 zloty/pessoa). Há cerca de 20 de nós por grupo. O guia dá a cada um de nós um dispositivo com fones de ouvido, para que todos possamos ouvir o guia sem que ela tenha que gritar.
O passeio começa com uma descida ininterrupta a pé de mais de 360 degraus.
Visitamos então cerca de vinte salas diferentes, com esculturas feitas de sal, o azulejo no chão também é feito de sal, mas parece mármore. Aqui, o sal não é puro e branco como o que vemos no deserto salgado de Uyuni, mas um pouco cinzento. Os antigos mineiros eram muito religiosos, por isso construíram capelas ao lado do seu trabalho.

Assim, há uma pequena cidade subterrânea, com esculturas feitas por mineiros, ou artistas autodidatas, capelas por todo o lado… A mina costumava ter grandes problemas de metano e um grande risco de incêndio. Agora, com a ventilação mecânica instalada na mina, não há mais riscos (bem, é o que diz o nosso guia :D)
Hoje, a mina não está mais em operação, mas uma pequena porção do sal ainda é produzida lá. Esta viria da água recolhida na mina (água da humidade), esta água é muito salgada (podia-se provar, provei uma gota de água, depois tive de beber uma garrafa inteira para me livrar deste sabor amargo e desagradável) e é usada para produzir sal vendido nas lojas de lembranças da mina.

A sala que mais me impressiona (e esse é o caso de todos, não só de mim) é a grande, alta e espaçosa capela, com muitas esculturas. A minha preferida é a Última Ceia esculpida em sal. Ohlalala, é realmente lindo!

Temos também a versão salgada de “João Paulo II”, os poloneses estão muito orgulhosos dele e você pode encontrar suas estátuas em toda parte. Anecdote: João Paulo II visitou esta mina quando ele era criança. A sua visita ao local como papa foi cancelada devido a preocupações de saúde.
Há também alguns lagos artificiais, onde a água está completamente saturada com sal. Para poder mergulhar no fundo de um destes lagos, os mergulhadores tinham de vir com 40kg de peso extra. Num lago pequeno mas giro, houve 2 acidentes de barco. No 1º acidente, pessoas (bêbadas) morreram sufocadas, porque um barco capotou sobre elas e elas não puderam “mergulhar” (estavam bêbadas e a água estava muito salgada) para sair dele. Que acidente trágico (e ridículo)!
O ar na mina é surpreendentemente agradável e, como lhe disse, bom é para a saúde. Os cavalos que trabalhavam na mina eram mais saudáveis do que os que trabalhavam na superfície. É super bem ventilado, houve até câmaras criadas especialmente para limitar os rascunhos.

Muitas coisas têm sido feitas para entreter os visitantes, por exemplo estátuas em forma de anões para lembrar os 7 anões da Branca de Neve, ou um mini show de som e luz num lago artificial onde Chopin é ouvido (ele também é um orgulho polonês, junto com João Paulo II). Bof bof, mas nós perdoamo-los, porque o resto é muito bom.
O guia incentiva-nos, de forma muito (demasiado) repetitiva, a lamber (de graça) as paredes da mina para saborear o sal. Segundo ela, não é assim tão nojento porque o sal mata as bactérias… é mais seguro lamber, do que arranhar a parede com as mãos e provar o sal, pois as nossas mãos são mais sujas do que as paredes! Na verdade, ninguém o quer fazer 😀
Depois de 2 horas de visita, nem sequer fizemos o 1% da mina!
Ao todo, teremos subido 800 degraus (apenas em descida). Após a visita, ficamos numa sala muito alta (onde um balão de ar quente bateu um recorde mundial ao fazer um voo subterrâneo). Caminhamos 1 ou 2 km até ao elevador e em poucos segundos chegamos à superfície e redescobrimos o sol.
Conclusão: se compararmos o deserto de sal de Uyuni, na Bolívia, com a mina de sal de Wieliczka, claramente, o deserto de sal ganha a mão! Mas se tivéssemos de comparar esta visita com a que o JB sofreu no fundo da mina empoeirada de Potosi (Bolívia), quase te faria querer trabalhar em uma mina de sal!
De qualquer forma, esta visita foi muito interessante, não cansativa apesar de muitas caminhadas, porque o guia fez de tudo para nos fazer esquecer os nossos esforços desportivos e os meus de nada… o ar da mina parece ser muito bom para a saúde 😀
Ao sair, não perca esses sundaes de sorvete italianos XXXL!

Parte 2: Dicas Práticas
Como chegar lá
De trem da estação central (Cracóvia Glowny) até Wieliczka Rynek Kopalnia (aprox. 9 zloty/pessoa)
ou Autocarro 304 (5 zloty)
Mais informações aqui
Orçamento
- Transporte: 5 zloty/pessoa (preferimos o autocarro)
- Visita: 84 zloty/pessoa
- Almoço: 25 zloty/pessoa
Dicas
- Eu recomendo que você mesmo faça a excursão em vez de passar pelos operadores turísticos porque, como em Auschwitz, é muito fácil chegar lá por conta própria
- No entanto, se você preferir ir com uma organização, você pode saber mais sobre as excursões da Civitatis a Cracóvia aqui
- Venha com um casaco pequeno porque está sempre um pouco frio na mina (14°C)
- Compramos os ingressos com antecedência no site oficial, mas você pode comprar os ingressos na hora. Evite, pois o número de assentos é limitado.
- Pessoas idosas ou deficientes podem pedir para seguir outro caminho, onde saem por elevador e só tomam caminhos acessíveis aos deficientes